
Guia de tratamento de escaras e curativos
Uma área avermelhada que não clareia quando a pele é pressionada pode ser o primeiro aviso de uma lesão por pressão. Para quem cuida de um idoso acamado ou de uma pessoa com mobilidade reduzida, agir cedo muda o rumo do cuidado. Neste guia de tratamento de escaras, reunimos orientações práticas para reconhecer a lesão, proteger a pele e entender quando um curativo avançado pode fazer parte da conduta definida pelo profissional de saúde.
As escaras, nome popular das lesões por pressão, surgem principalmente quando uma região do corpo permanece sob pressão por muito tempo. Calcanhares, cóccix, quadris, tornozelos, cotovelos e parte de trás da cabeça são áreas frequentes. A pressão reduz a circulação local e, se não for aliviada, a pele e os tecidos podem sofrer danos progressivos.
Guia de tratamento de escaras: comece pela avaliação
Não existe um único curativo adequado para toda escara. A escolha depende da profundidade, da quantidade de secreção, da presença de tecido desvitalizado, do estado da pele ao redor e da avaliação clínica. Por isso, uma lesão nova, profunda, dolorosa, com mau cheiro ou secreção merece avaliação de enfermeiro ou médico.
As lesões por pressão costumam ser classificadas por estágios. No estágio 1, a pele ainda está íntegra, mas pode apresentar vermelhidão persistente, calor, endurecimento ou dor. No estágio 2, ocorre perda superficial da pele, semelhante a uma bolha rompida ou abrasão. Estágios 3 e 4 envolvem perda mais profunda de tecido e exigem acompanhamento profissional rigoroso. Há também lesões cobertas por esfacelo ou necrose, nas quais não é possível definir a profundidade antes da remoção segura desse tecido.
Em pessoas de pele mais escura, o sinal inicial nem sempre é uma vermelhidão evidente. Observe mudanças de cor, brilho, temperatura, consistência e sensibilidade. Comparar a região com o lado oposto do corpo pode ajudar na identificação.
O tratamento não começa pelo curativo
O curativo protege e favorece o ambiente de cicatrização, mas não elimina a causa da lesão. Sem alívio de pressão, uma escara pode piorar mesmo com um produto tecnicamente adequado. A rotina precisa combinar reposicionamento, higiene, controle de umidade, nutrição e acompanhamento da ferida.
Para pessoas acamadas, a mudança de posição deve seguir a orientação da equipe assistencial e as condições clínicas do paciente. Muitas rotinas usam intervalos regulares, mas não há uma regra única: peso, tolerância da pele, tipo de colchão, dor, capacidade de movimentação e risco clínico interferem nessa decisão. Travesseiros ou posicionadores podem ajudar a manter calcanhares suspensos e reduzir pontos de pressão, sem criar pressão adicional em outras regiões.
A pele também precisa ficar limpa e seca, sem fricção intensa. Urina, fezes, suor e exsudato irritam a pele e aumentam o risco de novas lesões. Em casos de incontinência, produtos de barreira cutânea podem proteger a região exposta à umidade. A aplicação deve ser feita sobre a pele limpa e seca, conforme a orientação recebida, evitando excesso de produto que dificulte a adesão do curativo quando ele for necessário.
Nutrição e hidratação merecem atenção especial. Perda de apetite, emagrecimento, dificuldade para engolir ou baixa ingestão de líquidos podem atrasar a cicatrização. Um nutricionista ou médico pode orientar ajustes seguros, especialmente quando há diabetes, doença renal, restrição hídrica ou outras condições associadas.
Curativos para escaras: o que cada tecnologia pode fazer
O profissional que acompanha a ferida define a cobertura e a frequência de troca. Para familiares e cuidadores, entender a função de cada categoria ajuda a adquirir o item correto e a seguir o plano de cuidado com mais segurança.
O hidrocoloide costuma ser indicado para algumas feridas superficiais com pouca a moderada exsudação. Ele forma um gel em contato com a secreção e pode favorecer um ambiente úmido controlado. Não é a melhor escolha quando há infecção não tratada, grande volume de exsudato ou necessidade de inspeção muito frequente.
A [espuma absorvente com silicone](https://www.curativos.rio.br/p-gina-de-produto/curativo-espuma-absorvente-border-silicone-10cmx10cm-m-tec-944) é utilizada quando é necessário absorver exsudato e proteger a pele contra atrito. O silicone pode tornar a remoção menos traumática, uma vantagem para peles frágeis de idosos. Existem modelos com formatos específicos para calcâneo, sacro e outras regiões, além de diferentes espessuras e capacidades de absorção.
Os [alginatos de cálcio e sódio](https://www.curativos.rio.br/p-gina-de-produto/curativo-alginato-de-calcio-e-sodio-10-x-10cm-curatec-bk271010) têm alta capacidade de absorção e podem ser usados em feridas com exsudato moderado a intenso, conforme a avaliação profissional. Em geral, necessitam de uma cobertura secundária. Como interagem com a umidade, não costumam ser apropriados para feridas secas.
O hidrogel pode contribuir para hidratar feridas secas e auxiliar no amolecimento de tecido desvitalizado, quando indicado. Já as coberturas de carvão ativado com prata podem ser consideradas em situações com odor e suspeita ou risco de carga bacteriana, sempre dentro de uma conduta clínica. A prata não substitui avaliação médica nem antibiótico quando há infecção sistêmica.
Filmes transparentes, compressas com petrolato e coberturas não aderentes também têm aplicações importantes, principalmente na proteção de pele vulnerável e em lesões superficiais. Cada produto tem indicação, tamanho, tempo de permanência e técnica de aplicação próprios. Usar uma cobertura inadequada pode causar maceração, ressecar o leito da ferida ou dificultar a retirada.
Como fazer a troca do curativo com segurança
Siga exatamente a frequência de troca informada no plano de cuidado. Trocar antes da hora pode traumatizar a pele; manter além do recomendado pode favorecer vazamento, saturação e irritação. Antes de começar, lave as mãos e organize o material em uma superfície limpa.
Retire o curativo com delicadeza. Se houver adesivo e pele frágil, um removedor de adesivo adequado pode reduzir o risco de lesão por tração. Observe o aspecto da ferida e da pele ao redor antes da limpeza. A limpeza costuma ser feita com solução indicada pelo profissional, sem esfregar o leito da ferida e sem aplicar produtos caseiros, álcool, água oxigenada ou substâncias irritantes por conta própria.
Após a limpeza, seque cuidadosamente apenas a pele ao redor, quando necessário, e aplique a cobertura prescrita. O curativo deve cobrir a lesão com margem suficiente, mas sem enrugar ou pressionar excessivamente a pele. Anotar data, horário, aspecto da secreção, odor e evolução ajuda a equipe a acompanhar mudanças importantes.
Sinais de alerta que exigem contato com a equipe de saúde
Procure avaliação sem demora se houver febre, calafrios, aumento rápido da dor, vermelhidão que se expande, calor ao redor da lesão, pus, mau cheiro persistente, escurecimento dos tecidos ou aumento da secreção. Confusão mental, sonolência incomum e queda do estado geral em idosos também precisam de atenção, mesmo quando a ferida parece pequena.
Pessoas com diabetes, má circulação, imunidade reduzida ou histórico de feridas crônicas devem ter acompanhamento ainda mais próximo. Uma escara no pé ou calcanhar, por exemplo, pode ter evolução mais complexa quando há doença vascular ou neuropatia.
Prevenção também faz parte do cuidado diário
Depois que uma lesão aparece, a prioridade é impedir que outras regiões sofram a mesma pressão. Inspecione a pele todos os dias, especialmente após o banho e nas trocas de roupa ou fralda. Lençóis limpos, esticados e sem dobras, roupas confortáveis e atenção ao posicionamento no leito ou na cadeira fazem diferença.
Evite massagear áreas avermelhadas ou fazer movimentos de arrasto para reposicionar a pessoa. Quando possível, use técnicas que reduzam o atrito e o cisalhamento. Colchões e almofadas de alívio de pressão podem ser indicados para alguns pacientes, mas complementam, e não substituem, a mudança de posição e a vigilância da pele.
Na Saúde a Jato, familiares, cuidadores e profissionais encontram curativos avançados, barreiras cutâneas e itens de proteção da pele para seguir o plano de cuidado indicado. Ter o material correto disponível ajuda a manter a rotina com mais tranquilidade, mas o olhar atento para a pessoa continua sendo o cuidado mais essencial: uma pequena mudança na pele, percebida cedo, pode evitar uma lesão maior.





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