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Como prevenir lesões por pressão no dia a dia

  • Foto do escritor: Alexandre Cruvinel
    Alexandre Cruvinel
  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

A vermelhidão que não desaparece depois de alguns minutos sem pressão é um sinal de alerta, não apenas uma irritação comum. Saber como prevenir lesões por pressão ajuda familiares, cuidadores e profissionais a agir antes que a pele se rompa, evitando dor, infecção, internações e um tratamento que pode ser longo. A prevenção funciona melhor quando faz parte da rotina, com atenção aos detalhes do corpo e do ambiente.

Também chamadas de úlceras por pressão, essas lesões surgem quando uma região do corpo permanece comprimida por tempo prolongado. A pressão reduz a circulação local e diminui a chegada de oxigênio aos tecidos. Se houver umidade, atrito, deslizamento na cama ou fragilidade da pele, o risco aumenta ainda mais.

Como prevenir lesões por pressão com mudança de posição

A mudança regular de posição é uma das medidas mais efetivas para pessoas acamadas, com mobilidade limitada ou que passam muitas horas sentadas. Não existe um intervalo único que sirva para todos. A frequência depende da condição clínica, da capacidade de se movimentar, do tipo de colchão ou almofada usado, da integridade da pele e das orientações da equipe de saúde.

Para quem permanece no leito, é comum alternar as posições de costas, lateral direita e lateral esquerda, sempre evitando apoiar o peso diretamente sobre áreas já avermelhadas ou doloridas. Ao posicionar a pessoa de lado, um travesseiro entre os joelhos e outro apoiando as costas pode reduzir a pressão em proeminências ósseas. Os calcanhares merecem cuidado especial: sempre que possível, devem ficar sem contato direto com o colchão, apoiando a panturrilha de forma confortável.

Na cadeira, o ideal é estimular pequenos alívios de pressão ao longo do dia, quando a pessoa consegue realizá-los com segurança. Para usuários que não conseguem mudar de posição sozinhos, o cuidador deve seguir o plano definido pelo enfermeiro ou médico. Não arraste o corpo sobre o lençol ou a cadeira. O atrito pode lesionar uma pele aparentemente íntegra, principalmente em idosos com pele fina e ressecada.

Reduza o deslizamento e o cisalhamento

Quando a cabeceira fica muito elevada, o corpo tende a escorregar, e as camadas internas da pele se deslocam em sentidos diferentes. Esse mecanismo, chamado cisalhamento, pode causar lesão profunda mesmo sem uma ferida visível no início. Mantenha a cabeceira na menor inclinação compatível com conforto, alimentação, respiração e orientação clínica.

Para reposicionar, use lençóis móveis ou dispositivos próprios de transferência, quando disponíveis. Puxar braços, pernas ou ombros não é uma solução segura e pode causar dor, escoriações ou lesões em quem já apresenta fragilidade física.

Observe a pele todos os dias

A inspeção diária permite identificar alterações quando ainda há tempo de corrigir a causa. Em pessoas com alto risco, observe a pele durante a higiene e a troca de roupa, com boa iluminação. Dê atenção ao sacro e cóccix, calcanhares, tornozelos, quadris, cotovelos, joelhos, omoplatas, orelhas e parte de trás da cabeça. Máscaras de oxigênio, sondas, talas e outros dispositivos também podem pressionar a pele.

Procure por vermelhidão persistente, áreas arroxeadas, endurecimento, calor ou frio local, inchaço, bolhas, descamação, ferida ou queixa de ardor e dor. Em peles mais escuras, a alteração pode não aparecer como vermelhidão. Compare os lados do corpo e observe mudanças de cor, brilho, temperatura e consistência.

Ao encontrar uma área suspeita, retire a pressão do local e registre quando a alteração foi percebida. Não massageie uma região vermelha ou arroxeada. A massagem sobre tecido já comprometido pode agravar o dano. Se a pele estiver aberta, houver secreção, mau cheiro, febre, dor intensa ou escurecimento da área, procure avaliação de enfermagem ou médica sem demora.

Controle umidade, higiene e fragilidade cutânea

Suor, urina, fezes e secreções enfraquecem a barreira natural da pele. A higiene deve ser suave, com água em temperatura agradável e produtos que não ressequem excessivamente. Esfregar com força para “limpar melhor” aumenta o risco de irritação e pequenas rupturas, especialmente em idosos.

Depois da higiene, seque com toques leves, sem fricção, incluindo dobras da pele. Em casos de incontinência, faça a troca assim que necessário e considere o uso de produtos de proteção cutânea indicados para aquela situação. Barreiras em creme, filme ou spray podem ajudar a proteger a pele do contato repetido com umidade, mas a escolha depende da região, da presença de lesão e da rotina de higiene.

A hidratação da pele também importa. Cremes hidratantes apropriados podem reduzir ressecamento e fissuras, mas não devem deixar a superfície excessivamente oleosa em áreas de apoio. Evite usar produtos caseiros, álcool, água oxigenada ou substâncias perfumadas sobre pele fragilizada sem orientação profissional.

Atenção aos adesivos e à remoção

Curativos, fitas e filmes são úteis quando bem indicados, mas a retirada inadequada pode arrancar camadas superficiais da pele. Em pele frágil, prefira soluções e técnicas que reduzam trauma. Removedores de adesivo podem facilitar esse processo, sempre usados conforme a orientação do produto e do profissional responsável.

Curativos preventivos, como espumas absorventes com borda de silicone, podem ser recomendados para regiões de alto risco, sobretudo em pessoas muito frágeis ou com mobilidade bastante reduzida. Eles não substituem mudança de posição, hidratação, controle de umidade e avaliação regular. São uma camada adicional de proteção dentro de um plano de cuidado completo.

Alimentação, hidratação e condições de saúde

A pele depende de nutrição e hidratação adequadas para manter sua resistência e se recuperar de agressões. Perda de peso, baixa ingestão alimentar, dificuldade para mastigar ou engolir, desidratação e doenças crônicas podem aumentar o risco de lesões por pressão. Pessoas com diabetes, alterações circulatórias, febre, anemia ou incontinência exigem vigilância ainda maior.

Ofereça líquidos de acordo com a orientação clínica, principalmente quando houver restrição por problemas cardíacos ou renais. A alimentação precisa ter calorias, proteínas, vitaminas e minerais suficientes, mas não é recomendado iniciar suplementos por conta própria. Um nutricionista ou médico pode ajustar as necessidades conforme o quadro de saúde, apetite e exames.

A mobilidade possível também deve ser preservada. Sentar com apoio, movimentar braços e pernas, realizar exercícios orientados ou caminhar pequenas distâncias pode favorecer circulação, autonomia e bem-estar. A segurança vem primeiro: nunca force movimentos em uma pessoa com tontura, fraqueza importante, pós-operatório recente ou risco de queda.

Organize um plano de cuidado que a família consiga cumprir

A prevenção falha quando depende apenas da memória em uma rotina cansativa. Um quadro simples com horários de reposicionamento, higiene, hidratação da pele, oferta de líquidos e inspeção ajuda a dividir responsabilidades entre familiares e cuidadores. Registrar alterações facilita a comunicação com enfermeiros, médicos e técnicos de enfermagem.

Vale conferir se a cama, o colchão, os lençóis e a cadeira estão contribuindo para o conforto. Lençóis devem permanecer limpos, secos e sem dobras. Colchões e superfícies especiais podem ser necessários em determinados casos, mas precisam ser escolhidos de acordo com o grau de risco, o peso da pessoa e a orientação profissional. Um equipamento inadequado pode dar falsa sensação de proteção.

Na Saúde a Jato, familiares, cuidadores e profissionais encontram materiais essenciais para proteção da pele e cuidado de feridas, com atendimento próximo na Tijuca. Ao buscar barreiras cutâneas, filmes transparentes, espumas com silicone ou removedores de adesivo, tenha em mãos as informações do plano de cuidado, como região do corpo, condição da pele e frequência de troca recomendada.

Prevenir lesões por pressão é um cuidado contínuo e atento. Uma mudança de posição feita no momento certo, uma pele mantida limpa e protegida e a observação diária podem preservar conforto, dignidade e qualidade de vida de quem precisa de cuidados.

 
 
 

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